
Sul Modas afirma estar cansada de ajudar quem, segundo a empresa, não quer mudar de situação; comunicado foi divulgado um dia após a vitória de Lula nas eleições presidenciais
Uma empresa do setor de vestuário de Balneário Camboriú, no litoral norte de Santa Catarina, anunciou o encerramento de suas ações sociais após 18 anos de iniciativas solidárias. A Sul Modas informou que não fará mais doações de cestas básicas, brinquedos, agasalhos e outros itens destinados a pessoas em situação de vulnerabilidade. A decisão foi divulgada na segunda-feira (26) e rapidamente repercutiu nas redes sociais.
Empresa diz estar cansada de ajudar
Em comunicado direcionado a clientes, fornecedores e amigos, a empresa justificou a decisão com uma declaração contundente, afirmando estar cansada de ajudar pessoas que, em sua avaliação, não querem mudar de situação e preferem depender de auxílios governamentais.
A marca também informou que deixará de apoiar organizações não governamentais (ONGs) e projetos sociais que recebiam suas contribuições.
A empresa reconheceu que o posicionamento poderia provocar críticas e até a perda de seguidores nas redes sociais, mas afirmou estar consciente da decisão tomada.
Anúncio ocorreu após vitória de Lula
A publicação foi divulgada um dia após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), que terminou com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL).
A proximidade entre o resultado eleitoral e o anúncio chamou a atenção dos usuários das redes sociais. Entretanto, o comunicado da Sul Modas não relacionou expressamente a vitória de Lula ao encerramento das doações. A justificativa apresentada pela empresa foi a insatisfação com a forma como avalia que parte das pessoas atendidas recebe a ajuda.
ONG e projetos sociais são afetados
Ao anunciar o fim das iniciativas, a empresa também pediu desculpas às organizações e aos projetos sociais que apoiava ao longo de sua trajetória.
A marca agradeceu às instituições parceiras e aos clientes que acompanharam suas atividades durante os 18 anos de ações solidárias. Não foram divulgados números sobre a quantidade de famílias beneficiadas nem o volume de doações realizadas ao longo desse período.
Decisão divide opiniões
O anúncio reacendeu o debate sobre solidariedade, responsabilidade social e a relação entre assistência privada e políticas públicas.
Enquanto algumas pessoas defendem que empresas têm autonomia para decidir como utilizar seus recursos e quais projetos apoiar, outras questionam os efeitos da interrupção das doações para famílias que dependiam dessas iniciativas.
Especialistas da área social ressaltam que ações voluntárias podem complementar a assistência às pessoas em situação de vulnerabilidade, mas não substituem políticas públicas destinadas à garantia de direitos sociais.




