
Após primeiro mês de utilização, pacientes retornaram para troca dos dispositivos e avaliação dos dados
O que antes exigia verificações frequentes com pequenas perfurações nos dedos agora pode ser acompanhado de maneira mais prática, inclusive durante o sono ou na escola. Para crianças e adolescentes com diabetes atendidos pela rede municipal de saúde de Palmas, os sensores de monitoramento da glicose têm proporcionado mais autonomia e tranquilidade às famílias.
Essa é uma realidade vivida por pacientes diabéticos de Palmas, contemplados com sensores de glicose distribuídos pela Secretaria Municipal da Saúde (Semus).
Nesta quarta-feira, 21, os pacientes contemplados com a tecnologia há cerca de um mês retornaram para a troca dos dispositivos e a avaliação das informações registradas durante o período. Além da substituição dos sensores, o encontro permitiu que os profissionais de saúde analisassem os dados coletados, identificando as variações da glicose ao longo dos dias. Essas informações contribuem para um acompanhamento mais individualizado, auxiliando na orientação dos pacientes e familiares sobre os cuidados necessários para o controle do diabetes.
A engenheira civil Lidiane Andrade é mãe de Kaio Marer, de 14 anos, diagnosticado com diabetes aos dez. Ela conta que o filho já possui autonomia para monitorar a própria glicemia e realizar os cuidados necessários, inclusive na escola. Mesmo assim, a atenção da mãe continua, principalmente durante a noite. “Ele mesmo faz o monitoramento, mas, quando está dormindo, eu acompanho. Se percebo alguma alteração, aviso para ele verificar e, quando necessário, conferir também na ponta do dedo”, relata.
Para Lidiane, outro benefício é a possibilidade de os profissionais analisarem o histórico da glicemia. “Acho muito positivo esse acompanhamento, porque os profissionais conseguem avaliar os dados e nos orientar melhor. Como mãe, a gente se sente mais amparada”, destaca.
Kaio conta que aprendeu a lidar com o diabetes de maneira natural, sem constrangimentos entre os amigos e colegas da escola. Incentivado pela mãe desde o diagnóstico, o adolescente monitora a glicemia e realiza a aplicação de insulina quando necessário, sem deixar que os cuidados interfiram em suas atividades.
A mudança também trouxe mais tranquilidade para a diarista Maria Aparecida Soares da Silva, de 31 anos, mãe de Miguel Soares Brito, de quatro anos. Diagnosticado em abril de 2023, quando tinha apenas um ano e um mês, o menino precisava ter a glicemia verificada frequentemente, inclusive durante o sono. “Melhorou 100%, principalmente à noite. Agora consigo acompanhar pelo celular, sem precisar acordá-lo para furar o dedinho”, conta.
Acompanhamento e funcionamento dos sensores
A farmacêutica Paulina Rosa explica que 23 crianças e adolescentes participaram da troca dos sensores nesta quarta-feira. Além deles, outros 14 pacientes serão contemplados pela primeira vez com os dispositivos. “O objetivo é melhorar o controle da glicemia e, com esse acompanhamento, reduzir as complicações que podem levar à hospitalização”, explica, lembrando que neste primeiro momento estão sendo contemplados crianças e adolescentes com idade entre 4 e 18 anos incompletos.
Os sensores são pequenos dispositivos fixados à pele que medem a glicose no líquido intersticial e permitem acompanhar suas variações ao longo do dia. As informações podem ser consultadas por meio de aparelhos compatíveis, como celulares, e ajudam a identificar episódios de glicose baixa ou elevada.
Além de facilitar a rotina das famílias, os registros oferecem aos profissionais de saúde um histórico mais detalhado, contribuindo para orientações individualizadas e maior segurança no acompanhamento do diabetes.
Texto e fotos: Rodrigo Marques
Edição: Denis Rocha




